08/11/10

Leonor Xavier

"Esta manhã espreitei uma nesga de rio, quando abri a janela. Sempre que vejo o Tejo assim, azul em dia azul, respiro fundo a graça de Deus que me fez nascer nesta cidade de Lisboa e neste meu paìs Portugal...Que foi milagre assim inventado na hora da Criação...Pois não é verdade que somos um dos mais pequenos paìses da Europa, o mais antigo e definido, o mais variado, o ponto de encontro, o cais da chegada e despedida, meio caminho entre os cantos mais opostos do vasto mundo ?...Sinto o sossego da manhã de Lisboa a começar, penso que nòs portugueses, também somos desde sempre viajantes. Porque tanto viajamos, somos por tradição o paìs do afecto e do bem-querer, na curiosidade pelos outros que difarçamos na prudência das palavras e logo depois abrimos na generosidade imensa da nossa maneira de ser...Não faz calor nem frio, esta harmonia em mim é a felicidade absoluta, a compensar-me de todos os males...E nem sei porquê, acorda um verso de Portugal em mim. A terra, o céu e o mar. A claridade e a transparência do ar. Canto baixinho pela rua."

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