19/11/10

Caio Fernando Abreu

"Alento
Quando nada mais houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.
E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.
Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir."

11/11/10

Valere Novarina

"Un désespéré vient encore de se jeter en scène. Si l'acteur n'était pas le plus grand de tous les désespérés qui soient, il n'entrerait pas; il ne pourrait pas passer le passage, la porte par où entrer en scène - qui est une terrible frontière mentale, pas une porte. Car il n'y a pas de porte pour entrer en scène. L'acteur passe plutôt sous un mur complètement, par son anéantissement."

09/11/10

Mario Cesariny

"No estado seguinte as nações livres do mundo estavam progredindo e as obras dos serviços de utilidade pùblica multiplicavam os progressos das nações livres - o corpo humano deixara de aspirar ao sono - as mulheres arrumavam o quarto dos maridos com adoràveis mãos que sabiam escolher.
Emagrecer repousando foi, neste estado, a ùnica preocupação dos quatro amigos. Aliàs a situação no barco era excelente, com bastantes vistas para o mar. Paco Bill, o urbanista-amador e os homens da equipagem, os admira-dores, os solicita-dores, os canaliza-dores, os trabalha-dores, os avia-dores, os computa-dores, os opèra-dores, os prèga-dores, os alumia-dores, os anuncia-dores, os salva-dores, além dos oficiais de serviço, monta-dores, chupa-dores, canta-dores, limpa-dores, e os de serviço em baixo, restaura-dores, Paco Bill, dizia-se tratara de tudo, não permitindo que se lhe adiantassem em imaginação, tacto e disciplina. Jà em laboratòrios produzira homens em miniatura, agora em exercicio na cabra da nau. A unica deficiência consistia em classificar tais objectos. Os quatro amigos prestaram-se de bom grado à obtenção do material necessàrio: uma madeira leve, resistente, insusceptìvel de fadiga ou ardor."  (Titânia)

08/11/10

Alain Touraine

"L'Amour est la moins sociable des conduites, potentiellement capable de toutes les transgressions sociales. L'Amour est une transgression sociale. Parce qu'il préfère une personne à la société, l'amour contient tous les germes de la subversion. Il était très mal vu dans les régimes totalitaires et il continue à l'être. Dans le nazisme ou le stalinisme, l'amour était considéré comme une trahison parce qu'on a pas le droit de mettre une personne au dessus de la société. Le mariage est un moyen pour la société de récupérer l'amour."
 

Insònia

Gritos na rua.
Vozes na noite.
Silêncio.
A lua.
A lua.
Noite profunda.
Meu coração vagabunda.

M.

"Se não tenho sexo
 Sinto-me feia
 Se me sinto feia
 Não me apetece ter sexo
 Se não me apetece ter sexo
 Não me depilo
 Se não me depilo
 Não tenho sexo
 Se não tenho sexo..."

Boa Vista

J'habite
sous la
lune
vue sur
le Tage
en face
du Christ.

Penha de França

Moro ao pé do vento.

Ricardo Ayade

"Nu de mim mesmo, enxergo o outro."

Friedrich Dürrenmatt, 1971.

Quanto mais eu envelheço, mais me são a literatura teatral, a retórica e as frases bonitas odiosas. Eu renuncio cada vez mais aos artifícios dramatúrgicos que forçam os actores a representar em palco pessoas que, através das suas palavras, se tornam exibicionistas. Tento mostrar tudo, dramaturgicamente, de forma cada vez mais simples, tornar-me cada vez mais económico, omitir cada vez mais, e simplesmente sugerir. A tensão entre as frases tornou-se-me mais importante que as próprias frases. A minha dramaturgia desenvolve-se entre as frases, não nas frases, desenvolve-se no actor. Confio mais no seu impacto do que na literatura. Eu ponho-lhe frases nas mãos que não pretendem ser mais que o resultado final da sua representação. Eu integro a literatura na arte de representar e não a arte de representar na literatura. O palco, para mim, torna-se um veículo teatral, não um pódio literário. Ainda mais extremo: eu já não escrevo as minhas peças de teatro para actores, eu componho-as com eles. Eu abandono a literatura em benefício do teatro, literatura fazem hoje os críticos. Isso leva a que cada vez mais eu elimine a cenografia, estimula-me a procura de chegar a um teatro só com o actor que trabalha apenas com os adereços de que precisa para representar. O meu palco é um Teatro de Adereços, não de Cenário. Só assim me parece ser justificável o teatro actual, um teatro que se auto-reduz.

In a lonely place

"I was born when she kissed me. I died when she left me. I lived a few weeks while she loved me."

Lewis Caroll

"Foi um lindo xeque...e eu poderia ter vencido se não fosse esse cavalo nojento a intrometer-se nas minhas peças."

Clarice Lispector

"E eu que não me lembrara de lhe avisar que sem o medo havia o mundo."

The homeless wanderer

Bota a boca no trombone

"A boca fechada alimentando o medo, e a alma perdida tropeçando em inseguranças."

Filipe Bezerra

"Lampejo 80

Mais bem vale o esculacho
que o sossego de quem
se contém."

Lise Maussion et Damien Mongin

"Chacal, qui es-tu ?
Je fais partie des grands travaux. Je fais partie des hommes qui construisent des autoroutes. Comme on construit des cathédrales. Pour d'autres hommes, qui n'ont pas peur d'aller vite, qui n'ont pas peur que tout s'écroule. Je dors dans une chambre d'hôtel. La radio ne marche pas. J'appelle ma femme avant de dormir pour entendre sa voix. Elle voulait un enfant parce qu'elle avait trente ans je lui ai dit qu'elle avait le temps qu'elle pouvait en avoir jusqu'à quarante ans elle m'a dit qu’à quarante ans elle en aurait trois. Le réceptionniste me réveille à six heures. Un turc me cherche les poux et j'en ai pas. Je ne suis plus un enfant. Je ne fais plus partie du code pénal. Je ne suis pas un animal non plus. Je suis sous la route."

Ricardo Ayade

"A Poesia e Eu

A poesia me acalma...
Me alisa os cabelos...
Me deita em seu colo...
E me afaga a alma..."

Gero Camilo

"Veja meu amor, querem nos dizer que tudo é cinza, querem que sejamos medrosos, pra não fazermos o que pede nosso coração... mas nós teimamos sem esforço algum... somos felizes quando teimamos!!! Saiba meu amor que qualquer gesto de amor é maior que a bomba... Você pode escolher se a chuva é de água ou de ácido, se a bala é de menta ou de chumbo, você e quem está ao seu lado, se as mãos estão pro soco ou pro abraço, se os pés estão pra marcha ou pra dança... Lembra meu amor como dançava aquela tribo... e por que não dançar a nossa?"

Hugo Gonçalves

"Elogio da crise

Portugal tem medo e deprime-se mas esta pode ser também a nossa oportunidade. Já passámos demasiados anos embalados no conforto dos carros, dos telemóveis e do deixa andar. Não queremos desperdiçar mais oportunidades. Com a crise surge a metamorfose.
Esta história começa nos Estados Unidos e acaba em Portugal. E mesmo que não pareça ainda pode ter um final feliz. Depende de nós.

Tragédia número 1: o comediante norte-americano Grouxo Marx ficou sem 240 mil dólares ("Podia ter perdido mais, mas era todo o dinheiro que tinha", disse Grouxo) quando a bolsa de Wall Street se desmoronou em 1929. Um dos seus amigos, Max Gordon, assessor financeiro, ligou-lhe. Max disse as últimas palavras e deu um tiro na cabeça.

Tragédia número 2: 70 anos mais tarde, em Dezembro de 1999, eu estava na Venezuela para escrever sobre as inundações e as derrocadas que mataram mais de 15 mil pessoas: as chuvas tinham destroçado os morros onde antes se equilibravam milhares de barracas; verdadeiros rios de lama empurraram carros, pessoas e casas até ao mar, despedaçando tudo contra os hotéis de luxo e as mansões de praia da alta burguesia de Caracas. No país que acabara de eleger o comandante socialista Chávez, era uma estranha forma de a natureza explicar a luta de classes. Eu, jornalista em fim de estágio, que ainda usava sapatos de vela, comprei o bloco de apontamentos que mais me aproximasse do jornalismo dos filmes "Terra Sangrenta" e "Os Homens do Presidente". Tinha boas intenções, mas no final dessa semana de reportagem percebi que, por mais empenho literário que tivesse, haveria coisas que nunca conseguiria contar com suficiente precisão emocional. Tinha apenas de as viver: como a presença irremovível do cheiro dos mortos espalhados pela praia e misturados com o lixo - um cheiro dolorosamente doce que se instalava no céu da boca e subsistia mesmo depois de lavarmos os dentes.

Numa estrada de terra onde as pessoas caminhavam em busca de um campo de damnificados - assim lhes chamavam os jornais venezuelanos -, quis fazer perguntas a um homem que transportava um pequeno frigorífico. Tinha perdido a mulher e os filhos, soterrados dentro de casa. Sobrara-lhe aquele electrodoméstico que acabara de pousar na lama. No fim estendeu-me a mão e, como se fosse eu que precisasse de estímulo, despediu-se: "Buena suerte, amigo, siempre p''alante." E adiante foi, com o frigorífico às costas.

No seu discurso de vitória, há dois anos, Barack Obama avisou que as coisas não iam andar bem no futuro: "Duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira num século." O mundo encolheu-se, tossiu, teve dores. Uns aguentaram-se outros caíram de joelhos. Portugal parece um paciente depressivo que nem consegue tomar a medicação. E eu pondero se esta crise não será antes a nossa oportunidade. Pergunto-me: continuamos na vida em loop ou abrimos a pestana?

Nós, os que nascemos depois do 25 de Abril, nunca tivemos uma causa geracional. Somos os doutores e os engenheiros que queriam que fôssemos, somos os primeiros filhos da classe média, somos os irmãos anónimos de Tyler Durden, de "Clube de Combate". Temos a sua desilusão precoce, embora nos falte o inconformismo incendiário, porque temos sempre a desculpa de que há alguma coisa melhor a passar na televisão. Senhoras e senhores, Tyler Durden: "Na história somos o filho do meio. Não temos um propósito, um lugar, não temos nenhuma grande guerra, nenhuma grande depressão; a nossa grande guerra é espiritual, a nossa depressão são as nossas vidas."

Mas a depressão chegou.

Nós, os filhos do pós-revolução, crescemos com televisões a cores, jogos de computador, os videoclips da MTV a açucarar-nos a vida. Nunca estamos sozinhos - os telemóveis, os sms, o messenger, o facebook. Recebemos o conforto que faltou aos nossos pais. Trabalhamos num escritório com ar condicionado e wi-fi, numa rua com dezenas de multibancos. Estamos sempre na vanguarda da superfície das coisas - o mp3, o plasma para a sala, a assinatura da Sport TV. Podemos viajar, ler jornais estrangeiros na internet, encomendar livros de Inglaterra, comer massas tailandesas. Queremos ser intérpretes do aforismo moderno: pensa globalmente, actua localmente. Mas as nossas maiores emoções colectivas são partilhadas diante de um jogo da selecção nacional. As nossas maiores emoções pessoais precisam de ser intensificadas com desportos radicais, com o consumo de drogas, com o sexo a abrir, com a esperança de um amor que não resulte no modelo de família protagonizado pelos nossos pais. No entanto, tantas vezes os copiamos...

Habituámo-nos a ver personagens como Valentim Loureiro ou Alberto João Jardim como figuras cómicas em vez de como desastres para a nação. Cruzámos os braços. Não fomos votar no referendo do aborto. Comprámos, por fim, a casa. Crescemos entre a abundância parola dos centros comerciais e o medo do risco. O medo: esse legado de uma ditadura tão insuficiente como pacóvia, que se agarra a nós como um polvo no cio. Portugal: o país de rabo entre as pernas, pobre, mas que se comporta como novo-rico.

Deixámos de acreditar que o mérito abre caminho, passámos a vida a empurrar elefantes na areia para chegar a algum lado, vimos como pagar por baixo da mesa compensa enquanto sucateiros, autarcas, empreiteiros, banqueiros, ex-ministros e caciques rasgavam o país com prédios encavalitados e envelopes sujos de dinheiro.

Dizemos que, mais de um século após terem sido escritas, as análises de Eça de Queirós ainda nos descrevem. Dizemos, sim, dizemos. E que fazemos? Ouvimos Saramago explicar porque escreveu "O Ano da Morte de Ricardo Reis". Contou ele que pegou numa frase do heterónimo de Pessoa - "Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo" - e quis perguntar ao autor se em Portugal, naquela década de 30, numa Lisboa fraca nas ambições, cinzenta nas caras e asfixiada no cérebro, bastava estar contente diante do espectáculo do mundo, sem fazer nada. Eu pergunto: e hoje, basta? Em todo este tempo, do D'Artacão à Luciana Abreu, do Pinheiro de Azevedo ao José Sócrates, do telefone de disco ao telemóvel com GPS, parece-me que alguma coisa se nos escapou, que alguma oportunidade se perdeu, que deixámos que nos enganassem, que pedimos para sair do barco e fomos para casa, muito mais confortável.

Com a crise nasce a oportunidade - de meter um fundo a este fundo. Chega de justificar qualquer falha com "isto é Portugal, pá". Seja o café que vem frio, seja o dinheiro que desapareceu do banco ou a impunidade sem vergonha, não queremos ouvir mais a desculpa "isto é Portugal, pá". Não serve.

Vocês deram-nos a liberdade, o ensino superior democratizado, o serviço nacional de saúde, os empréstimos à habitação. Nós agradecemos. Obrigado. Temos agora o mínimo necessário para dar o passo seguinte e não temos medo de assumir as nossas insuficiências. Não temos complexos de inferioridade. Sabemos que há muito a fazer. Mas queremos mais que um carro desportivo e o maior centro comercial da Europa e telejornais de hora e meia. Também já não somos fatalistas, nem desgraçados, nem nos resignamos diante da tristeza como se fosse uma marca genética. Isso, acreditem, já não nos diz nada.

Em breve, caso a depressão económica nos arrase, deixaremos de ter subsídios de férias e segurança social e ar que se respire. Em breve seremos mais frugais, mais sensatos, obrigatoriamente mais activos. Precisamos muito desta crise.

O Empire State Building, por exemplo, foi construído durante a depressão dos anos 30. Picasso estava exilado na capital francesa quando Franco deixou que a força aérea alemã bombardeasse uma aldeia no País Basco. Depois Picasso pintou "Guernica". O trabalho de Nelson Mandela não foi nada facilitado pelos 27 anos que passou na prisão. Mas a sua perseverança durou muito mais que esses 27 anos de cela. Dizer que os tempos de crise estimulam grandes ideias e mudanças não é fazer nenhuma descoberta inédita. Os homens precisam de superar as suas circunstâncias - muito bem explicado (e tão duramente) na frase que Orson Welles acrescentou ao guião do "Terceiro Homem", escrito por Graham Greene: "Em Itália, durante os 30 anos dos Bórgias, houve guerra, terror, sangue, mas produziram Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e o Renascimento. Na Suíça houve amor fraternal, 500 anos de democracia e paz, e o que produziram? O relógio de cuco."

Não queremos guerra nem sangue, mas queremos o tempo que nos pertence. Sim, também temos culpa, também já confundimos o que é essencial com o que é acessório, já conduzimos bêbedos, já nos drogámos mais que a medida, já fizemos demasiadas coisas pela metade, já preferimos o conforto inconsequente ao prazer de fazer o que realmente gostamos. Houve dias, meses, anos, em que não crescemos quase nada. Mas um país que se está a cagar para tudo é um país de merda. E nós não queremos viver nas latrinas.

Sabemos que estamos mais bem preparados, sabemos que temos a força nas pernas, a resistência no coração e o brilhantismo na cabeça. Este momento é nosso, saiam da frente. Vamos ser melhores políticos, melhores pais, melhores cidadãos. Seremos muito mais exigentes, simpáticos, curiosos, divertidos, disponíveis, ambiciosos, inconformistas. Deixaremos de encolher os ombros quando nos responderem "isto é Portugal, pá". Não seremos indulgentes, nem passivos, nem mandriões. Não precisamos de ser os melhores da turma. Mas queremos chegar a casa, ao fim do dia, e dizer: "Fizeste bem, amanhã há mais." Fighting the fight, percebem?

Há quase 80 anos o amigo de Grouxo Marx matou-se com um tiro na cabeça e evitou assim cruzar uma década de depressão económica e a guerra mundial que se lhe seguiu, enfim, uma vida inteira. Há quase dez anos um venezuelano com um frigorífico às costas decidiu seguir para diante sem família, sem nada. Qual destas duas histórias nos convence mais? Qual é a nossa resposta quando a tragédia ou a crise ou o conformismo tornam as nossas vidas insuportáveis?

Sabem quais foram as últimas palavras do amigo de Grouxo Marx, ao telefone, antes de disparar a pistola, referindo-se ao descalabro da bolsa? "The joke is over."

Também aqui chegou o tempo de se acabar com a palhaçada. O que ainda falta fazer não pode esperar nem mais um dia."

Carta de amor enviada num canhão - Gabriel Pardal

Lucrecia Martel

"A realidade é um acto de fé de todos nòs. Um grande consenso e um acto de fé."

Bortolotto

"E não pode ter medo do erro, porque no erro reside a santidade."

Ser

Eu não sei nada mas eu sei tudo.
Eu não sou nada mas eu sou tudo.
Eu sou tu, nòs, vòs, eles e muito mais.
Eu sou o além das coisas.
Eu sou o avesso de mim.
Eu sou a minha face também.
Eu sou o aqui e agora.
Eu sei que sou e sou o que sei.
Eu sinto, eu minto, eu gosto e desgosto.
Eu sou o santo. Eu sou o louco.
Eu sou enfim eu sou.

Tudo

"Assim por mais que queiramos compreender ou até mesmo possuir tudo, nada é completamente nosso para sempre, a não ser o que aprendemos com a experiência."

Leonor Xavier

"Esta manhã espreitei uma nesga de rio, quando abri a janela. Sempre que vejo o Tejo assim, azul em dia azul, respiro fundo a graça de Deus que me fez nascer nesta cidade de Lisboa e neste meu paìs Portugal...Que foi milagre assim inventado na hora da Criação...Pois não é verdade que somos um dos mais pequenos paìses da Europa, o mais antigo e definido, o mais variado, o ponto de encontro, o cais da chegada e despedida, meio caminho entre os cantos mais opostos do vasto mundo ?...Sinto o sossego da manhã de Lisboa a começar, penso que nòs portugueses, também somos desde sempre viajantes. Porque tanto viajamos, somos por tradição o paìs do afecto e do bem-querer, na curiosidade pelos outros que difarçamos na prudência das palavras e logo depois abrimos na generosidade imensa da nossa maneira de ser...Não faz calor nem frio, esta harmonia em mim é a felicidade absoluta, a compensar-me de todos os males...E nem sei porquê, acorda um verso de Portugal em mim. A terra, o céu e o mar. A claridade e a transparência do ar. Canto baixinho pela rua."

Viriginia Woolf

"Vouloir, vouloir et ne pas avoir. Je veux, je veux, mais quoi ?"

Kids

To be a kid is cool, they don't care, they play everywhere, they can walk in the streets with a teddy bear, walk and sing and jump, and talk alone. People don't think they are crazy, and they are because they are free.

Androginia

I have seen a beautiful black woman, a young father pushing a babycar. Un jeune homme qui était une jeune femme.

Le freak c'est chic

Paris claque ton fric.

Infini

Une fois que tu as visé la lune et que tu sais qu'à priori tu ne pourras pas l'atteindre, une fois que tu as essayé d'aller vers l'infini et que tu sens que malgré tout ça, ça ne sera jamais assez loin, alors tu reviens de la lune, de l'espace, tu retraverse la stratosphère en sens inverse, le ciel, les nuages, les immeubles, les fenêtres, et toi, enfin, toi, et tu rentres en toi, et tu regardes à l'intérieur, et tu vois, sens, ton petit coeur tout serré, compressé, et juste tu essayes de le libérer.

La Spirale Hoffmann

"C'est plus facile de régner sur des gens fragiles que de régner sur des gens solides, et quand vous avez peur de perdre le peu que vous avez, vous descendez pas dans la rue, vous allez travailler..."

Breath In Breath Out

L'homme inspire quand il naît, il expire quand il meurt. La vie est dans l'entre deux.

Fernando Pessoa

"Chacun de nous est plusieurs à soi tout seul, est nombreux, est une prolifération de soi même."

Oscar Wilde

"Il faut viser la lune, car même en cas d'échec on aterrit toujours dans les étoiles."

Chico Buarque

"Hà perguntas que em vidas que andam juntas não se faz."

Esta não é de mim...mas podia

"Viajo porque preciso, volto porque te amo."

Chagall

"Sò é meu o paìs que trago dentro da alma."

Se alguém se reconhecer que assuma a autoria

"Para além da vida inteira jà que o homem não é ilha toda terra é sem fronteiras."

Into the wild

"If you want something in life, reach out and grab it."

Eliane Brum

"O contrato que assinei comigo mesma é o de seguir coerente com a necessidade de me buscar."

Décalage horaire

O teu ontem é o meu hoje, teu amanhã.

Insônia

Três estrelas no céu, uma tour Montparnasse, uma gaivota a gritar, ela e eu acordadas.

Na rede

O pensamento é o arco, o sentido é a flecha, o alvo...

Emmanuel Pothier

"Je pensais qu'un adulte c'était un coca-cola, alors qu'en fait c'est un cola pétillant."

Gustavo Sumpta

"à distância de um clic"

Gabriel Camões

"Eu demorei muitos anos pra acreditar nisso e hoje tenho essa crença de que se é pra ser artista e acreditar que sua arte pode ser uma ferramenta eficiente para transformar o mundo, as coisas, você e os outros, você deve vivê-la no esquema pacote completo e oferecer todo o seu tempo a ela...Aceitando o sofrimento e a dificuldade, usando-os a seu favor, como combustivel para o processo criativo."

Eliane Brum

"Quando você abre mão do seu clichê, o clichê que mora em alguns começa a coçar."

Ricardo Reis aka Fernando Pessoa

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada coisa a Lua toda
Brilha, porque alta vive."

Miguel Thiré

" Escrevi isso quinta. É sobre teatro, sobre uma peça que esta em cartaz, sobre várias que estão e que estiveram. Sobre uma coisa que incomoda. espero que não só a mim. É um desabafo e que talvez arda um pouco em alguém, espero que não muito.

Um apelo à “RESPOSTA”

     Ontem, quarta feira 28/10 fui assistir a uma peça de amigos, “ponto de fuga”. Bom espetáculo, vale a pena ver mais um bom trabalho de Rodrigo nogueira( texto e direção dessa vez) com um elenco que defende bem o trabalho.
       Não consegui parar de pensar em uma coisa que veio a minha cabeça não pela primeira vêz. Uma coisa que penso a algum tempo sobre o teatro que a gente ta fazendo.  Na verdade me parece um defeito pouco notado por ser pouco considerado talvez. Difícil de resumir em uma definição mas eu vou tentar: a falta de resposta.
    Explico, e pra isso vou usar um exemplo engraçado que aconteceu ontem mesmo em cena. A atriz Liliane Rovaris ( que defende bem seu personagem antes de qualquer coisa. Faz bem) em um dado momento do espetáculo proporcionou uma passagem curiosa em meio a uma cena de três personagens no qual a dinâmica acelerada e o ritmo do dialogo eram visivelmente uma opção estética da direção.
    O que teria de acontecer aparentemente: A personagem , que é bem afetada e falastrona, em um dado momento esta diante de um móvel e em um movimento de gargalhada ,ou algo parecido, tomba a cabeça pra frente e bate no patamar do móvel, em seguida diz algo como “ai eu bati a cabeça!” e a cena segue no dialogo acelerado falando de outra coisa.
 O que aconteceu:  chegou a hora da marca, e a atriz fez seu movimento e deu sua fala “Ai, bati minha cabeça” Só que não tinha batido. Não tinha tocado na mesa, não produziu som nenhum de pancada, e no entanto disse a frase. Um hiato depois, ao se tocar que n tinha batido a cabeça disse algo como “quase bati, na verdade”. A falta de som de batida, a cara da atriz depois da ação corrigindo o que tinha dito e a reação de pessoas da equipe que estavam na platéia deixaram claro que ela tinha errado ao não bater a cabeça, que tinha se sentido mal de ter mentido para o público ao dizer que tinha batido e que curiosamente pôs o caco dizendo que “quase tinha batido”( tudo isso em 2 segundos!!). Ela conseguiu tirar uma gargalhada de uma atriz , do seu diretor e de algumas pessoas na platéia que entenderam a coisa toda. Inclusive minha gargalhada.
    Foi bem engraçado, essas coisas acontecem, a gente erra em cena e fica vendido...tudo isso. Normal. Mas o que eu quero atentar aqui é para o seguinte. Mesmo ela não tendo batido a cabeça, disse - como esta no texto- que tinha batido, imediatamente em cima da ação. Ponto pra ela, ao meu ver, em ter sido sincera com o público depois. Mas porque ela não mudou a frase para não mentir pro publico antes de dizê-la? O ritmo era tão frenético que ela deu a fala antes de perceber que não tinha batido. Não acho que seja por um erro pessoal da atriz, não. Será que não se deve ao fato da velocidade da cena ser maior do que o da compreensão, do dialogo? Isso encomendado pela direção. Alias, esse termo- RITMO- não é meio perigoso as vezes?
      Eu acompanho, o trabalho do Rodrigo nogueira a algum tempinho( falando especificamente do autor), já vi alguns dos textos dele montados e inclusive já dirigi um monólogo curto de sua autoria. Gosto. Viu Rodrigo, Eu gos-to!!! Assim como acompanho o trabalho do Jô Bilac e do Pedro Brício por exemplo. Ambos são autores da nova geração e tem uma linguagem própria, uma cara. No caso do Rodrigo, a dinâmica e a aspereza dos diálogos é talvez uma das características mais marcantes.( entre outras coisas como a carpintaria e a riqueza dos assuntos) “play” e “Tempo.Depois” por exemplo  eu acho  trabalhos muito ricos.
      Mas, essa dinâmica do texto, do dialogo, que era rica no “Play”, em “Os sonhadores” e agora no “Ponto de fuga” quando transposta para a cena gerou em alguns momentos, nos 3 casos, uma velocidade de dialogo que as vezes me da a impressão de ser mais rápida do que o dialogo em si, do que a pergunta e resposta. Quando a gente diz que um ator respondeu sem ouvir a pergunta, sabe? É isso. E resulta assim por opção. É uma escolha de linguagem. Pra dar pegada. E ,de uma certa forma, dá.
     Mas por exemplo se o dialogo fosse:
A-     La fora tem um carro de presente pra você. É azul.
B-      Odeio azul, você sabe disso!
 Nesse caso o ator que faz B daria sua fala tão colado no final da de seu colega, tão em cima, que não daria tempo dele processar ideia da cor do carro. Provavelmente se A trocar de “azul” para “verde” na hora da cena, B , talvez respondesse, “odeio azul”, ou pelo menos iria gaguejar no meio da fala. Ou, como a Liliane, “ eu odeio azul....heee...verde...quer dizer...eu odeio verde também”. ( LILI, é só um exemplo, tá?! Não fica chateada comigo não)
      E no entanto nenhuma das cenas em que isso acontece nas peças é monocórdia, ambos os diretores, das 3 peças,  me parecem desenhar bem suas cenas, elas tem pausas onde tem de ter, tônus onde tem de ter e o “mais” onde tem de ter.  A história é contada e o texto é bom . Chega na gente. Mas no caso de uma cena com essa pegada acelerada o texto me parece chegar não “por isso”, nem mesmo “com isso” mas, “Apesar disso”. Eu ,como púbico, me sinto fazendo um esforço para acompanhar a cena, como quem assiste um pedaço do DVD em FF e tenta entender a cena, com esforço consegue, mas cansa e não se envolve, logo não da pra fazê-lo por muito tempo com prazer.
                 E ,por favor, isso não se trata de uma particularidade dessas três peças. Muito pelo contrario!!!!!!!!!!!!!  É  muito comum no nosso teatro. Ou eu to louco? E talvez seja ate injusto  escrever isso sobre essas peças que ,repito, Eu gosto! Acho boas. Muito boas! Assim como respeito as montagens delas no geral. E talvez justamente por isso valha a pena escrever sobre elas. Porque talvez esse fosse um dos únicos pontos passiveis de ressalva.
  As vezes n parece que nós estamos mais preocupados com o ritmo do que com a compreensão da cena? Que a cena chegue!  “Ritmo” que é  palavra emprestada da música( ou pelo menos remete à música.  Inegavelmente). Música que não tem narrativa como a dramaturgia. Teatro, eu penso, que tem ritmo sim, mas a gente confunde ritmo no teatro muitas vezes com velocidade....e ai acho que complica tudo. Falta de ritmo as vezes pode ser falta de paixão dos personagens na cena, Falta de impulso para correrem atrás de seus desejos, por exemplo....sei lá, mas não velocidade pela velocidade.
( e olha que isso que eu to apontando é só uma das “formas” de não se escutar em cena. Não só a velocidade é responsável por essa ausência de bate-bola!!)
E  escrevo isso e lanço no mundo com esse tom minucioso e explicativo (que pode soar arrogante eu sei) porque não se fala disso!! Não se comenta NUNCA na saída de uma peça que os atores não estavam se ouvindo. Ou quando se comenta é como um problema pequeno!!!! A contracena depende disso, e a absorção e envolvimento com a história dependem da contracena, não?!!! Poucos são os diretores que dizem isso. Que cobram isso. E nós atores não temos essa preocupação máxima. Pensamos a encenação, pensamos o tom dos personagens, pensamos o “figurinocenarioluz” com muito afinco e NÃO NOS ESCUTAMOS EM CENA.          
E muitos de nós atores de hoje somos bem encaminhados no estudo dos VIEW POINTS por exemplo!! Ou improvisação em geral.
Uai! Quem estuda VP não passa por um exercício de raia sem pensar na escuta,  na resposta cinética e em como as coisas “acontecem” quando nós reagimos aos estímulos externos. E quando recebemos um texto e vamos para a cena esquecemos disso? Quando é ensaiado esquecemos que uma reposta só pode surgir de um estimulo? Numa improvisação o exemplo que dei jamais aconteceria. Você n sabe o que o outro vai dizer e ele diz, “um carro de presente pra vc la fora, é azul” você ouve azul e joga com isso, se responder antes de ouvir é porque respondeu a  outra coisa qualquer, não à um carro <span>azul</span> de presente la fora! Na vida, as vezes a gente fala sem ouvir...muito normal. Mas ai n se responde coisa com coisa com o que foi dito antes... n é o caso das cenas que comento. A informação “azul” foi dada pela fala anterior.
Será que isso essa falta de cuidado nossa com  a resposta não é um pouquinho responsável pela valorização do improviso no teatro, no cinema e ate pelo sucesso reality show?!( sei que eu viajei um pouco aqui,forcei uma barra talvez.... mas vamos lá pelo menos um pouquinho ). Será que as pessoas não querem MUITO ver o dialogo vivo na sua frente?! será que se não treinássemos responder só quando ouvirmos teríamos a mesma força que as cenas do Tropa de elite 2 conseguem nos cinemas! Que é improviso. Não da pra se desprender da tela em uma cena sequer. Tá, tudo bem, um exemplo de cinema em comparação com o teatro é complicado. São processos diferentes, outros recursos para nos prender a atenção..... Mas aqueles diálogos, não por serem grande literatura mas por serem vivos, diz pra mim que aquilo não é foda!
Mas “In on it”, por exemplo ,também é! É muito bem atuado, dirigido e escrito e é foda todo dia. Com uma escuta incrível. Com contracena.  E era pensado por um autor. No caso acho que a dramaturgia era fruto de criação coletiva, de impro Tb, mas fruto trabalhado , retrabalhado e definido em texto. É diferente de subir no palco e criar na hora.
Gosto muito da impro, faço , admiro e acho que temos que continuar fazendo. mas não é a nossa única saída para escuta cênica. Não pode ser. Como dizem: você não improvisa Shakespeare! Não sai aquilo no impulso da impro. Nem Nogueira, nem Bilac, nem qualquer bom autor com estilo que tenha pensado, repensado escrito e reescrito seus textos.
Continuemos com os autores, poucos que temos, produzindo e continuemos dizendo seus textos em cena, mas com mais escuta, e por conseqüência, com mais resposta.
“Quem escreve aqui”
Acho que escrevo isso, esse desabafo,por estar entalado a algum tempo. Porque sou um apaixonado pela cena assim como a maioria de vocês que lê. E acho que estou entalado justamente pelo nosso costume de  descrição total quanto a crítica alheia. Não nos comentamos, não nos ajudamos a melhorar. Ficamos magoados com críticas negativas. Tristes tá certo, mas porque magoados?!?! Eu sei, eu fico Tb. Porque? Vamos parar com isso? Nunca escrevi algo com a intenção de ser lido por muita gente. Mas isso eu quis jogar na roda. Sei que pode arder por ai. To topando isso.
Esse texto, que horas parece arrogante, dono da verdade  e que  resolveria todos os problemas do teatro(óbvio que não!) é na verdade um grito de amor. De quem quer bem. E imagino que pareça Tb que eu sei como fazer essa coisa muito bem, de escutar em cena. Não sei bem não. Mas me preocupo.  Me preocupo em escutar, me preocupo quando vejo que não escutei, o que acontece pra caralho, Me preocupo quando estou dirigindo alguém que não escuta e fico mais preocupado ainda quando vejo que me preocupo quase sozinho. Será que sozinho? Por isso escrevo. Falem... eu to sozinho? A cena contemporânea tem realmente alguma coisa mais importante do que a contracena e eu tô velho? Vejo por ai ,sim, outras formas de teatro, quando a dramaturgia é pensada como uma outra coisa, e a narrativa é de outra ordem. N sei se gosto, mas respeito e ele ta aí. Mas n é o caso dessas peças que comentei. Essas tem personagens, carpintaria, história....e a necessidade de contracena, não?
Escrevo também como uma forma de chegar mais perto, de falar e discutir de dentro, de levantar a lebre....de querer estar mais perto do que estou, de querer estar fazendo mais Nogueiras e Bilacs e etc etc etc. de sair dessa minha defesa de quem pensa esse teatro e não estuda o quanto deveria, não procura os parceiros tanto quanto deveria, enfim, não se enfia o quanto deveria. Quero me enfiar mais, quero trabalhar com todos os envolvidos nas coisas que eu citei aqui. Queria estar em cena em todas essas peças que citei aqui!
 E escrevo ainda por achar que podemos estar mais perto do que estamos, todos. Discutindo, por exemplo, isso aqui.
 Enfim,
Miguel Thiré "

Le bruit

Ma tête est pleine de bavardages. Quand elle refuse de se taire, je n'arrive pas à entendre Dieu.

Low tech

Ontem tentei em vão ver um DVD. Jà não sei como se faz. Havia cinco telecomandos. Nunca encontrei o canal onde passava o filme, depois pensei que talvez fosse mais fàcil com uma VHS. Mas era igual, o canal continuava misteriosamente azul. Por fim pensei que podia encontrar um filme no meio dos 250 canais da televisão, mas não eu sò sei ligar os seis canais.

Gustavo Sumpta

"Isto tem alguma lògica, mas a lògica falha."

as vezes esqueço de anotar o autor, ficam as aspas...

"La vie  fonce sur vous tel un cheval au galop, et vous n'avez que deux solutions : enfourcher le cheval ou être piétinné. Essayez de trouver un moyen terme et vous êtes fichu."

Brincar

Brincar de faz de conta na vida, brincar até o fim.

Sam the Kid

"Apòs longas e repetidas noites de agitação, o resultado surge, emergente, esvai-se a permanente inquietação, entretanto, sobretudo, praticamente..."

Mestre Yoda, vulgo Mestre Foda

"Try not ! Do or do not ! There is no try !"
Sou uma colecionadora de frases, também escrevo de vez em quando ou melhor, rabisco pensamentos, tenho demasiada consideração pelas pessoas que escrevem, para afirmar que escrevo...mas o facto é que anoto frequentemente frases que vou colhendo pelo acaso da vida, em livros, jornais, na boca de amigos, pixações nos muros, passeios por blogues, filmes, musicas, enfim anoto quando consigo, tudo que me toca, me faz reflectir, parar pra pensar. E como não sou muito organizada, estas frases ou pensamentos, ou textos, andam soltos por ai, em suportes diversos. Decidi reuni-los aqui, de um lado porque me permite concentrà-los num lugar unico, e do outro porque o que eu mais gosto nessa revolução que é a internet, é a partilha que ela permite, por isso decidi jogar frases na rede.